Dias que não são teus

Há muito tempo que as coisas não funcionavam. Há muito tempo que tudo se tornava doloroso e difícil de suportar. Certas coisas que fazemos, seja por nós ou pelos outros que nos rodeiam, são mais difíceis, sugam mais da nossa força vital do que os dias e anos que nos fazem envelhecer, lentamente. Costumamos dizer que quando "nada" já corre bem, "empurramos com a barriga", fingimos que a vida está boa e tudo normal, para deixar o coração sangrar por dentro, assim não se nota. Assim ninguém sabe. "Empurra-se com a barriga", só mais um pouco, só um dia, uma semana, um mês e depois anos. Falta-nos a coragem para reconhecer que não, não está nada bem, a vida não corre pelo melhor e quando nos perguntam, " então está tudo", "vai-se andando". Na verdade não vamos andando. Na verdade não saímos do mesmo sítio há dias, semanas, anos e dizemos sempre o mesmo, "vai-se andando". Andando para onde se estamos com os pés cimentados no chão, sempre no mesmo sítio sem fazer ou decidir o que quer que seja?
Vamos todos andando, a caminho do fim, só se for.
Mas é triste. Triste que se chegue a um ponto em que não sabemos mais o que fazer, quando na realidade não fizemos nada para mudar. Não porque não mudamos, ou porque não queremos, mas porque não nos deixam. É triste, ver os filmes passarem na tua frente, dia após dia, os mesmos filmes e continua tudo igual. É triste quando pausas o filme, mudas o guião, e o filme continua igual. Mas afinal o que se passa? Não querem ver o que está mal? É mais fácil deixar o filme correr, e depois fazer de conta que se mudou alguma coisa, mas no fim o resultado é igual?
Quem engana quem?
Quem faz o filme ou quem acredita nele? Quem não faz nada para mudar de vez aquilo que está mal.
Um dia o cimento parte, meses as pernas e vais embora. Abandonas tudo, porque dói menos. Parece que dói menos. Na verdade dói mais porque podes fazer ainda menos. E agora condenam-te porque foges e porque queres mudar, queres trazer mudanças, queres trazer, talvez, mais justiça, mais disciplina e quem sabe mais alegria um dia. Condenam-te.
Porque depois continuas a ver o que está mal, mas estás sozinho e se antes estavas errado por "empurrar com a barriga", agora estás mal porque queres corrigir o mal que fizeste durante anos. Sozinho. Ou com o apoio daqueles cujas vozes dizem pouco, a quem pouco ou nada quer mudar. E choras, porque afinal ainda dói mais, porque no fim, por muito boas que sejam as tuas intenções.
Só querem que deites a toalha ao chão...
By: Angel-of-Death
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