ANA

Ana, foi talvez a única coisa acertada que fiz em mais de dois anos da minha vida, era ainda pouco mais do que um adolescente, sem preocupações, numa época da minha vida em que só me apareciam raparigas fácies e desinteressantes, cujo único propósito nesta vida era terem um namorado troféu, porque pelos vistos eu era bastante apreciado naquela altura, era surfista, moreno, rebelde, cabelos compridos. Para depois irem contar ás amigas da nova conquista e serem alvo de inveja.
Era quase um campo de batalha aquela praia, cheguei a andar com várias diferentes por semana. Mal sabia eu o que andava a fazer, também, naquela altura pouco me importava, a vida era bela e simples, tinha praticamente quem queria, surfadas todos os dias, copos todas as noites.
Então apareceu ela, era linda, sem duvida uma das mais bonitas raparigas com quem alguma vez me envolvi, pensava eu que era igual ás outras, jovem, um pouco mais atrevida, penso que terá sido por isso que a julguei mal, ou talvez porque tudo me pareceu tão fácil e natural, mas a verdade é que acredito que ela me amou, não como as outras, mas de uma maneira muito própria, muito bonita até, mas eu nunca soube dar valor a isso e por muito que me esforçasse, nem aquela loira linda me foi capaz de afastar dos meus vícios, da quase promiscuidade em que vivia, a que estava habituado. Não consegui evitar que ela visse uma traição, o que levou ao nosso rompimento. Não durou muito, o amor dela por mim era bem maior do que eu pensava ou merecia e ela voltou para mim, depois disso passamos duas ou três semanas muito boas, sem traições, dediquei-me só a ela, mas depois resolvi fazer o que ela não fez por mim. Fui de férias para o Algarve, mesmo sabendo que ela se tinha recusado a ir com os pais por minha causa. Rompemos de novo e desta vez definitivamente.
Definitivamente ate a voltar a encontrar, no verão seguinte ela estava lá, oito meses depois do nosso último encontro, é exceção de alguns telefonemas, não tínhamos tido qualquer contacto. Acho que conseguiu dar-lhe a volta novamente, ás vezes nem sei como, ela tinha de gostar muito de mim. Quando voltamos a namorar, pensei em algo mais sério, ela não merecia que eu a tratasse assim, e por uns tempos assim foi, saíamos juntos, estávamos juntos na praia, as coisas corriam bem entre nós, ela era divertida, inteligente, impulsiva e tão bonita, com um corpo de fazer inveja a qualquer um ou uma.
Até certo momento achei que me tinha saído a sorte grande, mas o velho hábito e os colegas, voltaram a surgir, apareceu uma francesa que toda a gente cobiçava porque tinha uns seios enormes, a mim fizeram-me o desafio, infantilidades, se todos a queriam eu seria o primeiro a ter. Assim foi, Ana não vinha á praia durante três dias que eu aproveitei para me aproximar da francesa, amigos em comum apresentaram-nos, conversamos durante muito tempo e convenci-a a ir dar uma volta até ás dunas, onde os meus colegas esperavam escondidos para ver se era verdade, como eu digo, infantilidades. O problema é que a eles se juntou a Ana que tinha voltado mais cedo e puderam não só eles, mas também ela constatar com os próprios olhos o que se passou a seguir.
Duas semanas depois ela voltou a perdoar-me, mas desta vez sem que eu a tentasse convencer, ainda hoje não sei porquê, sem que eu tivesse implorado, o amor dela tinha mesmo de ser tão grande. Passamos algum tempo juntos ainda, dos melhores momentos que já tínhamos passado, mas eu na minha cabeça decidi que ela nunca seria mais do que uma miúda, uma amiga e não era isso que ela merecia, merecia muito mais que eu não lhe conseguia dar naquele momento, merecia que eu a tivesse amado como uma mulher e tal não aconteceu. Infelizmente.
Ainda hoje a vejo, linda de morrer, namora com um cromo incrível que tive o desprazer de conhecer há uns anos, mora aqui na mesma terra que eu e namora a mesma mulher que outrora eu não fui capaz de amar, da maneira que ela merecia ser amada…
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