Fragmento 4 - Quem sou

Sinto a vida fugir-me entre os dedos, não sei onde fui buscar forças para escrever. Sinto-me desfalecer, entro num sonho, mas não sei onde estou. Tenho medo, não sei o que me espera…
Tento fugir de um destino que me atormenta e nem eu sei bem porquê. O mundo parece desabar na minha cabeça e ao mesmo tempo fujo dele, estou só.
A vida chama por mim novamente, que luz é esta no fundo do túnel? Que desejo é este de me prender a um mundo que não é meu? Que força que puxa para um destino redundante, que me leva a dar voltas sem fim, voltando ao inicio que nunca acaba?
Fujo de mim mesmo, não sabendo o que me espera em cada fuga. Corro para bem longe do mundo. E para onde? Fujo de quê? De quem?
Quem me chama e me procura nesta escuridão imensa, senão eu próprio. Como se fosse possível, fujo de quem não posso, de mim…
E nem sei porque fujo, por que escondo, se a vida é minha e faço dela o que quero, sem restrições, sem desejos por realizar, sem momentos por viver.
A vida é assim, sempre com caminhos tortuosos, esperando quem alguém os tome, sem rumo nem destino traçado, mas com um propósito definido.
Um propósito, como se de um destino não se trata-se, palavras escondidas do tempo, sem sentido, nem propósito… Palavras vazias, sem sentido, destinos traçados e cruzados que não nos levam a lado nenhum e a todo o lado, pequenas coisas sem sentido que nos alteram a vida de modo irremediável, sem chance de podermos voltar atrás.
O atrás já passou, já lá vai, como a água que passa num rio, podendo voltar sempre, mas que já passou e quando retorna tudo mudou, o tempo mudou, a água mudou, o rio mudou e o tempo passou e levou tudo o que existia atrás.
A vida prega-nos partidas difíceis, duras, que magoam e nos fazem magoar, mas que nos fazem crescer e continuar, acima de tudo fazem-nos viver. Dão-nos a possibilidade de escolher o caminho da felicidade ou tristeza, dão-nos o mundo numa bandeja, esperando só que o tome-mos nas mãos. Mas por vezes as nossas mãos fraquejam e não conseguem carregar esse fardo, esse destino.
Somos só humanos, só animais inseguros, porque nos tornamos mais inteligentes e destrutivos do que os outros. E assim fugimos da vida e do nosso caminho, do propósito da nossa existência, viver e fazer viver. Ser feliz e tentar fazer. Caminhar na direcção da luz, na direcção do nosso futuro, do nosso viver.


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