Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2005

Fragmento 2 – Só eu, só…

Sou uma criança mimada, mas ás vezes nem tanto, falta-me amor, não é só de vontades e de mimos que alguém consegue viver emocionalmente estável. Tenho acessos de loucura, loucura temporária, não sei com quem falo e como falo, magoo tudo e todos, faço disparates, aprendo a amar em minutos. Preciso de amor e procuro-o, mesmo onde ele não existe. Confundo todos e a mim mesma, sou o maior inimigo de mim, vivo ás vezes só para me magoar, para me mostrar que consigo sentir, que não sou de pedra, que não sou fria, mesmo quando me aturam com toda a neve do mundo. Vivo os problemas dos outros que também são meus, não fujo de nada, sou forte e choro, sou forte e caio por terra, desterrada, infeliz e miserável, porque não consigo fazer com que se gostem, não consigo remendar o que está mal. Estou frustrada, estou mal e não sei que fazer, mostro tudo aquilo que não sou, vivo sozinha dentro de mim, amo sem saber porquê, e fujo, deixo que tudo fuja de mim, porque não me consigo agarrar, não consigo...

Fragmento 4 – Nunca sou eu…

Só depois de começar a escrever sobre as mulheres, me dei conta do quão complicado eu sou, nunca me tinha apercebido de que era tão possessivo, não no que diz respeito a ciúmes, claro que também os tenho, mas sim em relação aos meus amores passados, porque me apercebi que mesmo depois de terminadas as relações, continuo com ciúmes, continuo a achar que deveriam ter-se mantido fies ao sentimento que existiu, mesmo eu não sendo, ou não tendo sido. Sei que não tenho esse direito, mas não o consigo evitar. Sempre achei que amei todas, à minha maneira, amei cada pormenor que as distinguia, por coisas as vezes até insignificantes, mas que para mim fizeram a diferença. Assim sempre foi fácil eliminar os defeitos, simplesmente ignorava-os, só quando eles se tornavam mais visíveis, aí o meu interesse diminuía, e voltava a procurar alguém, que voltasse a despertar algo em mim Acho que foi sempre uma espécie de mecanismo de defesa, nunca me abri por completo com nenhuma delas, aquilo que julgava...

Fragmento 5 – Para mim, por ela, para ela

Manhã, sol, dia azul, claro, ainda cedo, uma brisa soprava do mar, fresca, entrava pela janela do quarto que tinha esquecido aberta na anterior, como que chamando-me, acordando-me para a vida. Rapidamente me levantei, ainda descalço e só de calças de pijama, roupa que uso de verão, se é que uso alguma, saio para a varanda e logo o odor do mar entrou em mim, a maresia intensa daquela manhã impelia-me para sair de casa. Assim o fiz, de prancha na mão, depressa desfiz a pouca distancia que me separava daquela areia branca, o mar estava lindo, de um azul tão profundo que se fundia com o próprio céu, ninguém que ali estivesse nesse momento conseguia distingui-los, a ondulação calma, mas constante de cerca de um metro, estendia-se por várias dezenas de metros, excelente, pensei eu. O sol estava já bastante quente, não senti necessidade de vestir o fato, somente de calção, como o faziam os primeiros bodyboarders, quando ainda não havia nada de tecnologia aplicada a este desporto. Entrei, a á...

Fragmento 6 - Como antes

Vens descalça, despida, despida também de mim. Onde está a paixão que via nos teus olhos, nos meus, onde está o amor eterno que juraste, onde está o desejo de mil noites de fogo, em que saudamos o novo dia com um beijo, selamos o nosso segredo com um olhar, fingimos nem reparar, as horas passam e sinto um nunca me fartar de ti, o dia não passa e as horas não correm, aqueles momentos que pareciam eternos enquanto nos amávamos. Quando? Diz-me quando tudo isso se foi! Diz-me que estou errado, que não te vejo ainda em todo o lado, diz-me que tudo isto não morreu. Mostra-me quem fui, quem sou, mostra-me o que de errado se passou, porque não vimos tudo cair, como não notamos a vida a fugir. Por entre os dedos, deixei que levasses meu coração, minha mente, meu corpo, tentei dar-te tudo o que de melhor eu sabia, e para quê, o meu melhor nunca foi suficiente, nunca foi o ideal, e não precisava de o ser, talvez mais original, diferente, mas não sei ser assim, só sei ser eu, o eu por quem te apa...

Fragmento 9 - Um sonho meu...

Pensei escrever algo bonito, que mostra-se a alegria de viver que me vai na alma, a alegria de amar, de me sentir amado é quase surreal, como um sonho, ou é um sonho, mas tão real que o posso sentir, tocar, cheirar, até mesmo sentir-lhe o sabor e ela própria é um sonho, o meu sonho, o sonho de um dia encontrar alguém como ela, é claro que nunca pensei que ela ia ser tão nova, mas o meu coração não sente essa diferença e penso que o dela também não. Quando estamos juntos o tempo pára, o sol não deixa de brilhar, a água deixa de correr, somos só nós numa redoma de cristal e o mundo todo cá fora deixa de se ouvir, deixa de ser importante, desaparece como que por magia e o sol brilha só para nós. Sentimos o fogo ardente, da paixão que nos consome a alma, um sentimento tão intenso, que surgiu de uma simples amizade e evoluiu, cresceu e se tornou no imenso amor que sinto agora, amor que me aquece, que me conforta, que me alegra, que me ocupa o pensamento e não dá espaço a mais coisa alguma,...

Fragmento 8 - Tão minha...

Olho-te, deitada a meu lado, dormindo como um anjo, toco suavemente o teu rosto, sinto a tua pele macia nos meus dedos, a tua pele jovem e sem marcas do tempo, não me canso de te contemplar, nunca estive tão perto de um ser celestial, uma deusa dorme na minha cama, tão perfeita a meus olhos, tão cheia de vida, tão jovem… Agora tento recordar-me de como tudo começou, vem-me à memória a imagem de quando te vi pela primeira vez, num bar, eu estava com uns amigos e a minha ex. namorada, tu com um grupo de amigas, todas mais ou menos da tua idade, mas algo em ti me chamou a atenção, talvez a tua pele morena, os teus olhos negros ou o teu ar de indígena, agora nem sei bem, mas parecias uma indiazinha, saída de um filme, reparei que trazias um colar igual ao meu, achei que provavelmente tivéssemos o mesmo gosto por culturas índias, porque pouco depois reparaste também no meu colar enquanto dançava. Não queria acreditar quando te vi aproximar, sussurraste-me o teu nome ao ouvido, senti um arr...

Fragmento 7 - Luxúria

Olhando o mar, consigo ver-me outra vez com dezasseis anos, correndo pela praia, o sol queimando a minha pele já morena, o mar revolto que não me deixava surfar, nuvens de tempestade que se formam ao longe, espero a melhor maré, não temo o mar, respeito-o, sei que não me posso descuidar, quando a tempestade vem não há margem para erro, espero, mais uma vez o impulso é mais forte, não resisto às ondas que se formam, junto-me aos meus amigos e preparo-me para entrar, a sensação de liberdade é indescritível, a adrenalina sobe a cada onda que rasgo com a minha prancha, a tempestade rebenta, trovões ecoam, raios descem das nuvens e trespassam os céus, logo caindo no mar, cada vez mais perigosa se torna a nossa aventura, mas ninguém nos consegue tirar da água, não há salvação possível, o nosso surf é a nossa loucura, a nossa vida, a nossa paixão, a nossa salvação, saímos da água numa ultima onda, a maior do dia, sempre a maior, sempre mais uma, e levanta-se uma parede com mais de 3 metros n...