Fragmento 27 Recorda-me
Guarda-me, junto a ti, dentro do teu peito. Guarda-me, como eu te guardo a ti, junto a ti em pensamento, te recordo, recorda-me também, recorda todos os momentos, todas as mágoas e alegrias, recordo eu, todos os dias, todas as vezes que me senti perdido, todos os sonhos em que me encontrei. Recorda-me, como eu me recordo, feliz, triste, tentando falar comigo mesmo, dizendo-me coisas que não entendo, ouvindo vozes de mim, que me falam em línguas que não conheço, que me tentam mostrar-me quem sou, quando ás vezes nem sei se existo. Nem eu, nem tu, ninguém sabe quem é. Quem é que me diz? Sou quem e em que mundo? Sou eu, mas de onde vim, onde estou, porque me sinto tão perdido em mim, porque só me encontro em sonhos? Talvez nem eu próprio seja real, se é que o real existe e não somos todos uma fantasia, produto da imaginação fértil de alguém. Mas penso, e depois, o penso logo existo, é facilmente contestado na minha mente, talvez uma mente estúpida que não tem mais no que pensar, que nã...